A dor no peito é um dos motivos mais frequentes de procura por pronto-socorro — e também uma das queixas que mais geram dúvida. A boa notícia é que nem toda dor torácica vem do coração. A má notícia é que algumas merecem atenção imediata, porque o tempo faz diferença no desfecho.
Entender como costuma ser a dor de origem cardíaca, e quais sinais acompanham um quadro grave, ajuda você a agir com rapidez quando é preciso — e a evitar o pânico quando não é.
Como costuma ser a dor de origem cardíaca
A dor cardíaca clássica não é uma "fisgada" rápida e pontual. Ela costuma ser sentida como aperto, peso, pressão ou queimação no centro ou no lado esquerdo do peito, como se algo estivesse comprimindo o tórax. Com frequência ela:
- irradia para o braço esquerdo, ombro, pescoço, mandíbula ou costas;
- vem acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou uma sensação de angústia/mal-estar intenso;
- surge ou piora com esforço físico ou estresse e tende a aliviar com o repouso.
Quando esse desconforto aparece de forma previsível com o esforço e melhora com o repouso, falamos em angina estável. Quando ele surge em repouso, é mais intenso, dura mais tempo ou muda de padrão, o sinal de alerta é maior.
Angina e infarto: qual a diferença?
A angina acontece quando o músculo do coração recebe menos sangue e oxigênio do que precisa — geralmente por causa de placas de gordura que estreitam as artérias coronárias. Ela é um sintoma de que o coração está sob estresse, não uma doença em si.
O infarto agudo do miocárdio ocorre quando uma dessas artérias é obstruída e o fluxo de sangue é interrompido, começando a lesar o músculo cardíaco. É uma emergência: quanto mais cedo o atendimento, menor o dano. Vale lembrar que cerca de 1 em cada 5 infartos é "silencioso", com sintomas discretos — algo mais comum em pessoas com diabetes e em idosos.
Nas mulheres, os sintomas podem ser menos típicos: em vez da dor opressiva no peito, predominam cansaço extremo, falta de ar, náusea, suor frio ou desconforto nas costas e na mandíbula. Por isso o quadro às vezes é subestimado.
e911_emergency Procure emergência imediatamente
Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro mais próximo se houver:
- dor ou aperto intenso no peito que dura mais de 10 a 15 minutos;
- dor que irradia para o braço, a mandíbula ou as costas;
- falta de ar, suor frio, náusea, palidez ou sensação de desmaio.
Não dirija até o hospital por conta própria nem espere "para ver se passa". Chame o socorro.
Nem toda dor no peito é do coração
Muitas dores torácicas têm origem fora do coração. Entre as causas mais comuns estão:
- Musculoesqueléticas (como costocondrite ou distensão muscular): a dor costuma piorar ao toque, ao respirar fundo ou ao mover o tronco.
- Refluxo gastroesofágico: queimação que sobe em direção à garganta, muitas vezes ligada às refeições ou ao deitar.
- Ansiedade e síndrome do pânico: dor no peito acompanhada de palpitação, formigamento nas mãos, suor e sensação de falta de ar.
- Causas respiratórias, como inflamações da pleura.
O ponto importante: esses diagnósticos só podem ser confirmados depois de afastar a origem cardíaca com avaliação médica. Diante de uma dor no peito de causa desconhecida, a primeira medida é sempre descartar o problema no coração.
Fatores que aumentam o risco cardíaco
A doença das coronárias tem causas múltiplas. Os principais fatores de risco são:
- pressão alta (hipertensão);
- diabetes;
- colesterol e triglicérides elevados;
- tabagismo;
- sedentarismo e obesidade;
- histórico familiar de doença cardíaca precoce e idade mais avançada.
Quando agendar uma avaliação (sem ser emergência)
Fora das situações de emergência, vale procurar um cardiologista se você tem dores no peito que se repetem aos esforços, falta de ar que vem piorando, palpitações frequentes ou um ou mais fatores de risco acima. Uma avaliação preventiva ajuda a entender o que está por trás dos sintomas e a tratar a tempo.
Referências e base científica
- Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica — Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
- Outras fontes consultadas: Hospital Israelita Albert Einstein; Hospital Sírio-Libanês.
Conteúdo de caráter informativo, revisado pela equipe médica da Clínica Bellini. Não substitui a avaliação individual com o seu médico.